Cool Covers: Fell in love with a girl/boy

 
“Fell in love with a boy” foi o primeiro single do disco de estreia de Joss Stone, o Soul Sessions (2004). Nessa época ela só tinha ouvidos e voz para o Soul. Bons tempos os anos 2000 viu.

A versão da Joss tem muita personalidade, nem conhecia a versão original quando a ouvi pela primeira vez. Fez parte da estratégia de lançamento do disco escolher como single  uma música que foi sucesso dos White Stripes a poucos anos atrás.

“Fell in love with a girl” (a versão original) fez do White blood cells (2001) o melhor disco do White Stripes. E o clipe também é um destaque a parte.

Legal mesmo seria o Jack White e a Joss Stone tocando juntos não? Ai sim.

 

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Umbabarauma, a origem

Para começar vamos falar de Umabarauma, do Jorge Ben Jor, que faz parte do disco África Brasil, de 1976.

01 Ponta de lança africano (Umbabarauma)

Até então, Jorge já era sucesso internacional, graças a “Mas que nada”, lançado em 1963. Mas foi o África Brasil que iniciou sua fase mais criativa, onde trouxe o funk, R&B e a percussão. Trocar o violão pela guitarra também foi um tapa na cara de todos na época.

Umbabarauma é a primeira música do álbum. Foi escrita quando Jorge estava na França com sua primeira banda, o Admiral Jorge V. Lá, ele relata que assistiu a uma partida onde havia um jogador negro, que vestia a camisa 10. O mais estranho, é que o nome do jogador era na verdade Babaraum.

Não se sabe se Babaraum era jogador de algum clube profissional, se jogava em alguma seleção, nem se era realmente africano. O que se pode imaginar é que numa suposta partida, Jorge ficou impressionado com a habilidade do jogador, que estava em um dia inspirado.

Deixando a imaginação de lado, o que podemos afirmar é que Jorge Ben é um brincalhão. Por que raios fazer uma música sobre um ponta de lança africano? Na época brilhavam jogadores brasileiros como Rivelino, Roberto Dinamite e Zico, todos eles enchiam os olhos dos torcedores. Talvez nenhum desses nomes daria a métrica exata necessária para o refrão. Talvez sua intenção fosse escrever uma música sobre futebol, sem parecer uma homenagem à um jogador. Talvez ele sequer tinha visto o tal Babaraum jogar e só achou o nome legal.

Independente do tenha – ou não – acontecido, ele a compôs e a gravou. Sobre uma letra simples, montou um groove ainda mais simples, colocou muita percussão e vocais femininos. Quer mais o quê?

Para fechar, em 2010 a música foi regravada, contando com a participação de Mano Brown, vocais de Anelis Assumpção, Céu e Thalma de Freitas. Desse encontro saiu também um documentário, patrocinado pela Nike, vale a pena assistir.

A versão ficou realmente animal, dê um play abaixo para curtir.

Todos menos eu: Bon Iver

Em “Todos menos eu eu” vamos falar daquele artista/banda que é hype e está em todos os blogs, na programação da MTV, Multishow e na Rolling Stone. Vamos fazer o trabalho sujo para você não ficar sem assunto com seus amigos hipsters.

 

Bon Iver é uma banda indie de música folk, tem dois discos, já teve músicas utilizadas em séries renomadas de TV e seu vocalista e líder é hoje reconhecido como compositor e músico de nível 999, mas você não conhece. Ok, vamos lá.
Este ano, os caras ganharam 2 Grammys das 4 indicações que receberam. Levaram para casa os prêmios de “Artista revelação” e “Disco de música alternativa“, pelo álbum Bon Iver.

Bon Iver Grammy

As outras duas indicações, para Música e Gravação do Ano, se dedicavam à canção “Holocene” que você confere abaixo.

O nome da banda é uma derivação da frase em Francês “bon hiver”, que significa “bom inverno” ou “tenha um bom inverno”.

[pullquote_right]Importante: não saia por aí dizendo Bon “AIVER”: vão rir, corrigir você, bater as cinzas do charuto na sua cara e continuar a conversa. Lê-se como se escreve mesmo =)[/pullquote_right]

Justin Vernon, líder da banda, é um músico extraordinário e compôs, gravou todos os instrumentos e produziu todas as músicas do primeiro álbum da banda “For Emma, Forever Ago“, de 2008. O disco foi muito aclamado pela crítica, em diversas publicações foi classificado com um dos melhores álbuns dos anos 2000 e teve faixas utilizadas em alguns seriados famosos, tais como House e Grey’s Anatomy, o que não é pouca coisa.

O álbum de 2011 chamou a atenção internacional para a banda, já com uma produção maior. Antes, formada por Justin mais três músicos, hoje conta com dez pessoas na lista.
Eu gosto mais do primeiro CD, que tem todo ele uma levada quase que completamente acústica. Os arranjos vocais impecáveis fazem parte de todas as músicas, tanto antigas como novas, e sem dúvida nenhuma são um dos pontos altos do grupo.

A música que eu mais gosto no momento, “Skinny Love”, do primeiro disco, num show quase particular:
A primeira pessoa a dizer que parece um bando de maconheiros de algum instituto de artes de universidade pública é mulher do Michel Teló =)

Os clipes que coloco abaixo são para conquistar de vez seu gosto pela banda, mas existem condições: você precisa assistir em tela cheia, com os fones de ouvido e o volume alto.
Qualquer música dos caras é uma bela viagem.

Atéapróxima.

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Maldita indústria cultural: Glee

Indústria Cultural é um termo cunhado pelos filósofos alemães Adorno e Horkheimer para definir padrões que se repetem afim de criar uma consciência coletiva voltada ao consumismo. Foi um baita desafio tentar sintetizar em poucos caracteres uma definição sobre esse termo, que é muito profundo e extenso.
Pegamos o termo emprestado para dar o nome a seção que vai te apresentar de verdade a artistas que são injustiçados e sofrem algum tipo de preconceito.

Fiquei super feliz em poder inaugurar essa seção aqui no Não Toco Raul, afinal, tem muita gente boa injustiçada e rotulada por aí e desmistificar o que falam desses caras, é nossa missão por aqui.

Para começar os trabalhos, vamos falar um pouco do seriado musical Glee. Hoje, os fãs do gênero podem se deliciar com a quantidade de programas de tv sobre o assunto (o próprio Glee e a nova sensação da NBC, Smash – que tem produção do Spielberg, por exemplo) e várias peças da Broadway que chegam em terras tupiniquins, como Hair, Violinista no Telhado e Família Addams, para citar alguns.

Glee é, em tradução livre e minha, um grupo que canta tudo junto, um clube de coral. O seriado começou em setembro de 2009, criado por Ryan Murphy e, logo na primeira semana, conquistou os primeiros lugares no iTunes com o cover do hit “Don’t stop believing”. De lá pra cá, a cantoria dos estudantes tomou uma proporção cada vez maior e ganhou espaço na indústria fonográfica – o que rendeu muitos fãs e dinheiro.


O seriado trata, basicamente, de aceitação. E há coisa mais universal que a paixão pela música? O autor, homossexual assumido, inclui, em cada episódio, questões importantes e cheias de atitude para quebrar paradigmas. Todas as referências pop estão lá, claro, como Madonna, que ganhou um especial com suas músicas, Lady Gaga e Michael Jackson, cujo sucesso Smooth Criminal recebeu uma nova roupagem com violoncelos. Mas, também, há de se destacar a coragem de Murphy ao incluir no setlist do seriado covers de Lionel Ritchie, Queen, The Doors, R.E.M e Beatles. Apresentar música boa à juventude, nem que seja no meio de muito drama escolar, já é uma iniciativa válida.


Além deles, o autor incluiu na receita uma pitada de Broadway, com a paixão de Rachel Berry por Barbra Streisand (uma atriz e cantora premiadíssima que, acredite, já existia antes daquela musiquinha da dupla Duck Sauce) e pitadas de canções conhecidas em musicais como Cats e Les Miserables. Além da iniciativa bacanérrima (e meio freak) de recriar “The Rocky Horror Picture Show” no Halloween e repaginar “Time Warp”.

Ok, eles cantam com playback? Sim. Fica muito mais sonoro e visualmente bonito para a câmera – fora que sabemos o trabalho logístico de filmar tudo isso sem ser dessa forma. Mas o mais importante em Glee é a capacidade de transitar em vários gêneros (rock, pop, musicais da Broadway, surf music, eletrônico etc) e mostrar que a música é para todos e que preconceito a gente revida cantando – ou acabando com ele, conhecendo o que não se conhece.


 

Até a próxima! 😉

 

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Loroza Records #1 Zooey Deschanel

No Google, a busca “Ator e Cantor” traz como primeiro link o site de Serjão Loroza. É ex-vocalista do Monobloco e hoje tem banda própria, mas você deve se lembrar dele em alguma novela ou minissérie da Rede Globo. Boa praça, carismático e talentoso, ele é o ícone a representar esta seção, onde vamos apresentar alguns atores, atrizes e celebs que também são músicos.

 

Como quero trazer boa sorte pra cá, vou começar com o sonho de consumo de milhões de marmanjos nerds e hipsters mundo afora: Zooey Deschanel.
She & Him
“She” é mais conhecida por aqui pelas comédias românticas 500 Dias Com Ela (500 Days of Summer) e Sim Senhor (Yes Man), onde atua ao lado de Joseph Gordon-Levitt e Jim Carrey, respectivamente. Seu papel clássico é de mulher-perfeita-que-eu-quero-pra-mim, mas ela é bem mais do que a bela atriz que eu gostaria de namorar.

O guitarrista e produtor M. Ward (“Him”) ouviu algumas demos de composições próprias da atriz e sugeriu que juntos eles gravassem a coisa de acordo e este foi, basicamente, o modo como nasceu a dupla de música indie/folk She & Him.

Se vocês são espertalhões como eu sei que são, deram play no vídeo acima e já estão familiarizados com o som da dupla. Essa é a principal atividade musical da atriz e eles tem até agora dois álbuns de inéditas, na maioria compostas pela Zooey e produzidas pelo Matt. Os álbuns se chamam Volume One (2008) e Volume Two (2010), simples assim, como deve ser.

Além da She & Him, a Zooey (ah… Zooey) já soltou o vozeirão em alguns filmes (procure por “Elf” e “O Assassinato de Jesse James blablabla…“) e também faz vídeos aleatórios desejando feliz ano novo com o amigo Joseph, que aliás é também um excelente músico. Assunto para um outro post.

Beijo, tchau.

 

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Eu vim de Santos!

Charlie Brown Jr. é uma banda muito repetitiva. Essa afirmação não trata de frases como “eu vim de Santos, sou Charlie Brown”, quase que um lema adotado por Chorão nos shows e CDs. Ela realmente tem identidade e, mais do que isso, uma grande história por trás. Trata das origens da banda, onde ela se formou e cresceu e de onde saiu para se tornar uma das mais populares do Brasil. Trata também da barraquinha que Chorão atropelou com seu carro em um dia de forte chuva e alagamento. Daí surgiu o nome, acrescentando apenas um “Jr.” por se tratar da nova geração. De lá para cá foram dez álbuns – nove de inéditas – em um espaço de apenas 12 anos. Em seis deles encontrei letras repetidas, a partir de uma pesquisa simples e feita no mais puro olhômetro, comparando.

De Elvis Presley a Michel Teló



The Baseballs é uma banda  Rockabilly (aquele som do tio Elvis) alemã que faz covers de sucessos de vários artistas pop da atualidade. Tem Rihanna, Lady Gaga, Maroon 5, Katy Perry, Beyoncé  e outros tantos. Os caras são muito bons.

Ontem a banda lançou em seu Youtube uma versão especial para os “fãs” brasileiros. Nos presentearam nada mais nada a menos com uma versão de “Ai se eu te pego”, em português, claro.

E você ai achando que todo mundo já tinha se esquecido dessa música né?

Não precisa gostar de Michel Teló pra dar o clique no vídeo abaixo.


Valeu a iniciativa champs, mas já deu né?

 

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Todos menos eu: Lana Del Rey

Em “Todos menos eu eu” vamos falar daquele artista/banda que é hype e está em todos os blogs,  na programação da MTV, Multishow e na Rolling Stone. Vamos fazer o trabalho sujo para você não ficar sem assunto com seus amigos hipsters.

De cara, vamos falar de Lana Del Rey, que recentemente lançou o disco “Born to die”, que é até o momento o disco mais vendido em 2012.

Lana Del Rey chama-se na verdade Elizabeth Grant, é filha do milionário Rob Grant e se mudou do Estados Unidos para Londres em 2010, afim de iniciar sua transformação após ter seu trabalho rejeitada por várias gravadoras. Queria ser vocalista de uma banda mas acabou “sendo forçada” a escolher a carreira solo.

A moça começou a fazer sucesso em meados de 2011, com clipes “caseiros” dos singles “Video Games”, “Blue Jeans”  e  algumas apresentações ao vivo (clique para ver aqui, aqui e aqui). Com  o anúncio do lançamento de seu álbum para 27 de janeiro de 2012, e o lançamento de mais um clipe (Born to die), seus fãs cresceram ainda mais e ficaram malucos esperando os sons da nova Diva.

Com o álbum prestes a ser lançado,  as oportunidades em programas de TV começaram a surgir. Aí criou-se a primeira polêmica: Lana fez uma apresentação aquém do esperado no Saturday Night Live. Como você pode ver abaixo:

[atualização: todos os vídeos da apresentação da cantora foram removidos do Youtube]

A crítica não perdoou, até a atriz-roqueira Juliette Lewis chegou a dizer no Twitter que Lana Del Rey “parecia uma menina de 12 anos cantando”, mas apagou o post em seguida. Até surgiram rumores de um suposto cancelamento da turnê de estreia, desmentidos depois pela própria Lana.

Como todo hype, está acontecendo tudo muito rápido com Lana, e até mesmo seu fracasso no SNL lhe rendeu mais textos e referências do que se tivesse feito uma apresentação normal, rendendo até paródias e sketches em programas de humor.

Ao que parece, a tal apresentação foi realmente atípica. Duas semanas depois Lana já se apresentou no David Letterman Show e se mostrou bem melhor. Essa apresentação deixou bem claro que não devemos esperar que ela seja uma  Lady Gaga nas performances.

Muitos estão falando que esse ano será dela. A aposta está feita, mais ainda é muito cedo e temos muito pela frente. Acredito que ela passe longe das rádios aqui no Brasil. Seu som é diferente, não é fácil apreciar logo de cara. A maior parte as pessoas não acha nada demais na primeira vez que ouve.

Os fãs declarados dizem que “sua voz vicia”. Exagero ou não,  é inegável a sua qualidade e seu potencial. Se não gostaram do som, vão curtir ao menos as suas fotos:

 

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Vá ao Lollapalooza sem ouvir as bandas que não conhece

Não ouça as bandas que não conhece antes de ir ao Lollapalooza. Simplesmente não ouça.

Se você comprou só pra ver o Foo Fighters no dia 7, sábado, então ouça muito Foo Fighters. Ouça os álbuns antigos, relembre os sucessos e dê risada com os clipes engraçadões como “Everlong”, “Breakout” e “Long road to ruin”. Escute o último Wasting Light (2011) imaginando como vai ser na hora em que a banda abrir com “Bridge Bruning”. Aprenda a letra e esteja preparado pra gritar o primeiro verso (“these are my favourites last words”) se Dave Grohl prefrir jogar para o público. Senão, tudo bem: cante junto e alto.

Decore as letras e até assista shows dessa turnê (digite “full concert no youtube, e um novo universo se abrirá). Descubra o que eles costumam fazer em determinadas músicas e já entre no clima de antemão. Faça isso também com o Jane’s Addiction – o Perry Farrel nem aguenta mais cantar mesmo. E também com o Artic Monkeys, headliner do dia 8, domingo. Assim, quando eles tocarem “I bet you look good on the dance floor” e o vocalista Alex Turner cantar “and your shoulders are frozen”, você vai poder responder “cold as the night”.

Dificilmente haverá alguém no Lollapalooza que não conheça essas bandas. Mas se você não conhece Cage the Elephant, Band of Horses e TV on the Radio, não escute-as com antecedência, como se pudesse abrir um catálogo e dizer “vejamos o que temos aqui”. Muito menos faça isso com bandas como Gogol Bordelo, MGMT e Foster the People. As chances de você ouvir cinco minutos de som, achar monótono e passar para a próxima são enormes. O que também pode acontecer, e que seria ainda pior, é arraigar um pré-julgamento que pode atrapalhar o show.

Dê a oportunidade a si próprio de vê-las pela primeira vez no palco, onde toda banda se mostra da forma mais verdadeira: sem loopings, transposição de vozes, equalizadores e efeitos artificiais extenuantes. No palco, eles fazem acontecer – ou pelo menos deveriam. Permita-se conhecê-las de forma mais intensa, com a vibe do público, do som ao vivo, dos erros de notas e da postura dos músicos. E entre no clima.

Saiba usar a expectativa. Pode ser que alguns shows sejam uma merda ou as bandas não sejam do seu gosto. Mas pelo menos vai poder dizer algo sobre elas muito além de “eu ouvi uma música lá, de um album e tal. E não gostei”. Mas se curtir,  vai ser como um tapa da cara, com aquela excitação de conhecer mais, ir atrás e achar aquela música com aquela parte em que o vocalista fez isso, o público cantou e o show veio abaixo.

Escute as bandas do Lollapalooza que não conhece na hora certa.

 

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