Todos menos eu: Deidre Muro

Em “Todos menos eu eu” vamos falar daquele artista/banda que é hype e está em todos os blogs, na programação da MTV, Multishow e na Rolling Stone. Vamos fazer o trabalho sujo para você não ficar sem assunto com seus amigos hipsters.

 

Sou fã de revistas. Desculpem-me os defensores da sustentabilidade ambiental, mas não há prazer maior para mim do que encontrar uma edição novinha esperando-me para ser lida e rabiscada. E foi numa dessas minhas tantas idas às bancas de jornal que me deparei com a Deidre Muro, cantora nova-iorquina que virou a musa das redações de revistas como Vogue e Gloss. Com voz delicada e jeito meio alternativo (não aquele mainstream hipster, tá?), Deidre vem conquistando seu espaço e conta que suas referências são o pop dos anos 60 e o blues.

Com tanta meiguice, Deidre foi convocada para uma campanha da Forever 21 (marca californiana com DNA meio coreano, superpopular) para ser tema da linha especial da marca dedicada à Hello Kitty com a música “Classic Girl”, cuja melodia tem o combo pegada sintética e voz aguda, que não pede muitos esforços. Além disso, Deidre é camarada: quem quiser copiar a coreografia não vai ter muitas dificuldades. O clipe é, como o nome da música, bem clássico.

Além disso, a cantora tem opiniões fortes e não gosta de ser titulada como cantora-compositora. “Às vezes apenas cuspo as músicas”, diz, sem se preocupar com o rótulo que gostam de dar. “Minhas músicas não são sobre mim, são sobre coisas abstratas. É muito fácil interpretá-las, pois finjo que vivi essas situações enquanto canto”, completa.

Quando questionada sobre a possibilidade de vir ao Brasil, a senhorita Muro responde na lata: “Venho quando me convidarem”.

É, a moça meiga das canções é, na verdade, uma mulher de língua afiada – e afinada.

 

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Alagados, Trenchtown, Favela da Maré, a Origem


“Alagados, Trenchtown e Favela da Maré”, são as palavras mais importantes do clássico “Alagados”, composto por João Barone, Bi Ribeiro e Herbert Viana e gravado no excelente Selvagem? (1986).  Não são termos aleatórios, como podem parecer: fazem referências a grandiosas favelas que têm como característica em comum as construções em palafitas. E pra morar em condições dessas, só com muita fé – ainda que não se saiba fé em quê.

Filho do Brigadeiro Hermano Viana, militar de alta patente, Herbert nunca precisou morar sobre as águas, se equilibrando em tábuas e passarelas. Mas a difícil realidade das favelas mencionadas o atingiu mesmo assim: a Favela da Maré fica no Rio de Janeiro, local para onde mudou na adolescência e onde foi fundada a banda. Já Trenchtown, que fica em Kingston, Jamaica, ele descobriu lendo a biografia de Bob Marley, que por lá morou por anos.

Não há nenhuma ligação direta entre Herbert – ou mesmo com João Barone, que nasceu e cresceu no Rio de Janeiro, ou Bi Ribeiro, que é carioca mas morou em Brasília – com a Favela dos Alagados, em Salvador. Talvez ela faça parte do imaginário de Herbert pelo fato de ter morado algum tempo – a infância – no nordeste, em João Pessoa. Alagados é a base do refrão, a base de uma música de alta contestação social.

“Alagados” canta a dificuldade do pobre e a “arte de viver a vida” apesar de todas as dificuldades. Essa música, que tem uma constituição meio caribenha em meio a tantas percussões e pelos solos de guitarra, parece fazer menção ou criar uma ponte direta com outras duas grandes músicas brasileiras.

“Alagados” lembra muito “A Novidade”, que foi composta pela banda em parceria com Gilbert Gil e que também está em Selvagem?. Nela, Gil, autor da letra, usa a imagem de uma sereia para desvendar um “paradoxo na areia”: “alguns a desejar seus beijos de deusa”, “outros a desejar seu rabo pra ceia”. O caso termina como um “pesadelo medonho”, algo que permeia a realidade de “Alagados”.

Mas também lembra muito “Do Leme ao Pontal”, de Tim Maia – talvez pelos nomes citados no refrão. Nela, Tim exalta duas das mais belas praias do Rio de Janeiro. Entre uma e outra há muita beleza – Leblon, Ipanema e por aí vai. Quando o refrão para de ser repetido, Tim Maia solta as piores e mais sujas praias cariocas: Calabouço, Flamengo, Botafogo, Urca, Praia Vermelha. Está aí a contradição – e a crítica.

Os Paralamas do Sucesso também incluíram Tim Maia no repertório de Selvagem?, com uma versão reggae de “Você”, que seria depois emendada por muitas e muitas bandas – inclusive por Gilberto Gil -, com “Vamos fugir” e “Is This Love”, de Bob Marley – olhem só: é como um ciclo que se fecha. Para esclarecer, “Do Leme ao Pontal” também foi lançada em 1986. Suspeito que poderia ter sido ela a regravada, se a situação fosse outra.

Em “Alagados”, os  Paralamas se limitam à tríade “Alagados, Trenchtown, Favela da Maré”, mas a crítica vai tão longe quanto poderia, o que tornou a canção um dos maiores sucessos do grupo. Pode até ser considerada um clássico, embora muita gente saiba ou entenda sua origem: palafitas, condições precárias, sujeira e, principalmente, a “arte de viver da fé – só não se sabe fé em quê”.

PS: Justamente por ter no refrão termos aparentemente aleatórios – e, principalmente, em inglês -, “Alagados” entrou para o rol de músicas que permitem composições instantâneas: em vez de Trenchtown, os desinformados cantam qualquer outra coisa como “sem sal”. É o tipo de coisa que acontece com Cláudio Zoli em “Noite de Prazer”: “Tocando B.B. King sem parar” vira “Trocando de biquíni sem parar”. Muito curioso e divertido.

 

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Top 7,5: Clipes ALLTYPE

O termo “Alltype” – comum na publicidade – define anúncios e peças que não possuem outros elementos visuais senão o texto. Pela definição parece simples, mas traduzir com sucesso uma ideia, sem utilizar fotos e ilustrações em um pequeno espaço, exige muita habilidade.

Quando essa ideia sai do papel e vai para o vídeo, as possibilidades se multiplicam, se tornando uma ferramenta muito útil para artistas, principalmente quando a edição do clipe oficial atrasa. Mais conhecida como Kinetic Typography (experimente uma busca no Youtube), vídeos que utilizam essa técnica sempre ganham milhares de visualizações, seja ou não um vídeo oficial. Vamos então aos melhores:

7.  Happy Pills – Norah Jones

Álbum: Little Broken Hearts (2012)

 

6. Tightrope – Janelle Monae

 Álbum: The ArchAndroid (2010)

 

5. Mad World – Gary Jules

Álbum: Donnie Darko Soundtrack (2001)


Versão do clássico do Tears for fears, gravada para a trilha do filme Donnie Darko.

 

4. Let The Drummer Kick – Citizen Cope

Álbum: Citizen Cope (2002)


Trilha do filme Coach Carter (Treinando para vida), com Samuel L. Jackson.

 

3. Ya no sé qué hacer conmigo – El cuarteto de nos

Álbum: Raro (2006)


Uruguaios também sabem fazer pop rock.

 

2. Fuck you – Cee lo Green

Álbum: The Lady Killer (2010)


Essa versão foi lançada oficialmente por Cee-lo dias antes do clipe oficial, que também é muito bom.

 

1. Online songs – Blink 182

Álbum: Take Off Your Pants and Jacket bucks (2001)


Falar o quê desse vídeo? Dá vontade de lotar o mp3 com todos os discos do Blink.

 

1/2. Samuel L. Jackson – Pulp Fiction

Além de videoclipes, é muito fácil achar cenas de grandes filmes nesse estilo. A mais famosa é a cena de Samuel L. Jackson em Pulp Fiction.

 

 

Cool Covers: Playground Love

Sabe aquele som que você pode ouvir em loop eternamente que nem vai ligar? Aquele que você coloca pra escutar no talo até os ruídos penetrarem seus ouvidos, se empregnarem nas suas veias e você sentir seus pés se deslocarem do chão? Então, esse som pra mim é a música Playground Love, do Air.

A canção foi feita especialmente para a trilha sonora do filme As Virgens Suicidas, de Sofia Coppola, em 2000. O duo francês, além de compor a trilha sonora do primeiro filme de Coppola, também colaborou com outras produções da diretora, como “Encontros e Desencontros” e “Maria Antonieta”.

Eu gosto tanto desse som, que quando vi que o Phoenix fez um cover do Air, em 2006, eu não botei muita fé… mas não é que, sem os sintetizadores, e numa pegada mais acústica e orgânica, a gravação ficou boa pra caralho?

Bônus

Super recomendo o filme “As Virgens Suicidas”, além do som do Air, o enredo da história acompanha a delicadeza de sua trilha sonora tornando o filme muito bonito. Confere o trailler aqui:

 

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Right Track #4 The Killers vs. Coração Valente

Nesta seção vamos disponibilizar wallpapers bacanudos de clássicos do cinema revisitados por clássicos da música. Sempre uma bela sacada (ou não). Veja o que preparamos, baixe, use e, se tiver uma bela ideia, não deixe de enviar nos comentários!

 

Nesta edição: All These Things That I’ve Done, The Killers

(e o meu filme preferido de todos os tempos)

Loroza Records | Karen Elson, moda de viola

No Google, a busca “Ator e Cantor” traz como primeiro link o site de Serjão Loroza. É ex-vocalista do Monobloco e hoje tem banda própria, mas você deve se lembrar dele em alguma novela ou minissérie da Rede Globo. Boa praça, carismático e talentoso, ele é o ícone a representar esta seção, onde vamos apresentar alguns atores, atrizes e celebs que também são músicos.

Desculpem a expressão ingrata ali em cima, mas não consegui pensar em outro título que juntasse de modo sucinto as duas ocupações da moçoila de quem vou falar hoje: Karen Elson.

Modelo de grande sucesso e queridinha dos estilistas das marcas mais famosas do planeta, Karen também tornou-se uma estrela reconhecida no cenário musical. Ex-esposa de Jack White, do The White Stripes, Karen tomou gosto pela música e aventurou-se sem prever muita coisa. E deu certo.

Em 2010, Karen lançou seu primeiro álbum, “The Ghost Who Walks”, que foi bem recebido pela crítica especializada. Com um estilo folk e meio celta, Karen passeia entre as músicas com uma pegada que lembra um pouco a também ruiva (e também inglesa) Florence Welch, da banda Florence + the Machine, com um som meio indie.

 

Prendada, Karen não ficou presa ao rótulo de modelete e botou a mão na massa. Além de cantar, também compôs algumas das canções, como a faixa-título do disco. A produção ficou a cargo de Jack White (até então seu marido), que tem influência notada na melodia de “The Truth Is in the Dirt”.

Focada na carreira musical, Karen parece estar no caminho certo. Elogiada pelo combo talento + estilo + beleza, tem tudo para continuar angariando fãs e boas críticas. A inglesa, que já participou da The Citizens Band, fez dueto com Cat Power em 2006, na versão inglesa da música  “Je t’aime mois non plus” em homenagem ao francês Serge Gainsbourg.

Começar a carreira com o pé direito calçando Louboutin foi tarefa fácil para Karen. Vamos ver se ela consegue se equilibrar no alto de seus sapatos de grife, mantendo e carão e a voz que a destacou.

Maaas, caso não dê certo, Karen não se abalará. Pelo seu histórico, ela poderá dar uma festa, assim como a que ela e Jack patrocinaram para comemorar o divórcio (modernos, né?).

 

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AC/DC quatro por quatro

Há muito a dizer sobre a voz aguda e marcante de Brian Johnson, mais ainda sobre a personalidade com que toca guitarra Angus Young. Pode ser que haja algo a comentar sobre o peso coadjuvante de Malcolm Young fazendo base ao lado do baixista Cliff Williams. Sobre o baterista Phil Rudd, uma definição é a mais repetida e, provavelmente, mais certeira: “he doesn’t overplay“.

Direto e reto, Phil Rudd nunca se excede quando está tocando bateria. Não faz grandes viradas, não usa grandes recursos e são muito raros os solos que faz. O baterista do AC/DC é quem define a fórmula musical da banda: marcação de tempo quaternária – bumbo-chimbal-caixa-chimbal e, de vez em quando, um ataque nos pratos. Clique abaixo para entender como a magia acontece.

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É muito, muito difícil ser tão direto e tão bom quanto Phil Rudd – passar compassos e compassos sem fazer uma virada, segurando a marcação para o resto da banda sem variar nem um pouco o ritmo. Outros falharam nesse quesito: em 1983, em meio a abuso de álcool e drogas, Rudd brigou com Malcolm e foi demitido da banda. Dois bateristas passaram sem  pelo AC/DC sem agradar da mesma forma.

O primeiro deles foi Simon Wright, que saiu em 1988 para tocar com Dio, outro Deus do rock. Chris Slade entrou em seu lugar e ficou até 1994, quando Angus e Malcolm se aproximaram de Rudd e o convidaram para voltar à banda. A justificativa foi de que o antigo baterista daria um som mais adequado ao grupo. Não precisa dizer mais nada, né?

Phil Rudd também é conhecido pelo jeitão caricato, seco e longe dos holofotes. Brian Johnson o descreve como um cara de poucas palavras, mas extremamente divertido, e conta uma história que diz que, em certa turnê, ele andava tocando com um pedaço de papel à frente da bateria, como uma partitura. Quando foi ver o que era, Johson encontrou um grande par de peitos, “o maior par de tetas que você já viu”. “Inspiração”, se limitou a dizer Rudd.

Manter uma linha de bateria não é exclusividade do AC/DC, embora chame a atenção o fato de todas as músicas possuírem a mesma levada quatro por quatro. O trunfo da banda é a variedade de riffs e melodias – e uma ou outra quebrada, é verdade, como no refrão do “Black in Black”, maior sucesso. Está aí a fórmula musical. Quero ver quem consegue copiar com qualidade. Difícil, né?

James Hetfield: o melhor guitarrista base do mundo

 

A alcunha de “melhor guitarrista base do mundo” pode não parecer grande coisa, quase como um prêmio de consolação: “a banda tem seus destaques, mas na base você é o melhor”. Ninguém que tenha feito base gravou para o álbum Guitar Heroes, foi aclamado por algum riff ou aplaudido de pé após uma canção. Vejo em James Hetfield, do Metallica, a relevância máxima dessa função.

Fiquei pensando um tempão em como definir James Hetfield como guitarrista, mas acontece que a missão é difícil demais. Seu talento com a guitarra é como algo oculto: sua potente voz, os solos com wahwah de Kirk Hammet, as caretas e a pegada de Lars Ulrich na bateria e até os trejeitos de Robert Trujillo se sobressaem mais. Mas sustentando tudo isso há James e sua guitarra.

É impressionante o talento que o vocalista do Metallica tem na mão direita: com palhetas perfeitas, varia as levadas abafadas para dar peso e ritmo às músicas, sem se desfazer de nenhum riff. Onde muitos guitarristas fariam a palheta alternada, ele bate apenas de cima para baixo – haja tendão para aguentar a sequência.

That was just your life
Thar was just your life

Temos tudo isso no último álbum, Death Magnetic (2011): está na cavalgada do riff principal de “That Was Just Your Life”, no cromatismo da levada de “All Nightmare Long” e nos trecho que circunda o solo de Kirk Hammet em “My Apocalypse”. Há muito para ver também nos álbuns antigos: no clássico “Black Album”, intitulado Metallica  (1991), ele desce o braço em “Holier than Thou” e só palheta para baixo em “Thought the Never”.

Podemos também citar a fortíssima “Master of Puppets”, do álbum homônimo de 1986, ou então em “Creeping Death”, do anterior Ride the Lightning (1984). James Hetfield tem uma pegada intensa, algo que transmite o peso de seu braço direito à música. E como é difícil fazer isso. Mais difícil ainda é tocar desse jeito e cantar, algo que ele faz com excelência.

Há quem não goste do timbre do vocalista do Metallica – principalmente os seus famosos “yeahs” -, mas não há como negar que é muito, muito complicado cantar e tocar riffs um tanto quanto elaborados. Tente cantar, por exemplo, “One”: o dedilhado vai se decompondo em séries de peças que se misturam com a guitarra de Kirk, e até aí James não perde a afinação.


shhYEAHeaah!

Mais do que isso, James Hetfield mixa à técnica conhecimento técnico, a ponto de desenvolver uma linha de captadores que lhe agradasse. A peça foi criada em parceria com a EMG, e o guitarrista testou 30 modelos diferentes até encontrar aquele que se encaixava melhor ao seu gosto. É com eles que toca em sua Explorer, guitarra que virou quase que uma marca, assim como a Les Paul para Slash.

James Hetfield não é perfeito e jamais vai ter o destaque ou a relevância de nomes como Van Halen,  Jimmy Page ou Keith Richards. Mas é de se admirar o capricho e a forma como leva a “cozinha” do Metallica há mais de 20 anos, tocando ao lado de Lars Ulrich e dos baixistas Cliff Burton, Jason Newsted e Robert Trujillo.

Alive, a origem

A música “Alive” do Pearl Jam, a mais tocada por bandas cover do hemisfério sul e também a primeira escrita pela banda, é na verdade uma história real… ou quase. Eddie Vedder canta a história de um garoto que se depara com duas duras verdades e descobre através da mãe que: 1 – quem ele pensava ser seu pai, na verdade era seu padrasto, e 2 – seu verdadeiro pai havia morrido há pouco tempo. O adolescente tem então que lidar com a mentira que lhe foi contada pela mãe por toda a vida e toma como uma maldição o fato de ainda estar vivo.

O refrão que os fãs do Pearl Jam no mundo inteiro entoam com êxtase e euforia – Ohhh I… I’m still Alive! – é na verdade um grito de desespero para o garoto. O garoto é Eddie Vedder.

Veja e ouça a história que ele chama de “a maldição”, contada com emoção pelo próprio no vídeo abaixo:

No filme/documentário Pearl Jam Twenty (PJ20) – obrigatório pra qualquer fã -, Vedder diz que seu verdadeiro pai era um homem quem ele acreditava ser um amigo da família.

Em uma entrevista da banda para a Rolling Stone em 2006, Eddie conta que a música faz parte de uma trilogia sobre este garoto – só é verdade sobre o padrasto e a morte do pai, ok? – que, depois de uma perturbada e incestuosa relação com a mãe, cresce para se tornar um serial killer em Once e por final, acaba no corredor da morte em Footsteps. This is serious shit, man!

Já fizemos referência à música Alive em um Right Track.

Girls para amolecer corações indie-endurecidos

 
Eu não tenho muito mais saco para procurar sons novos como tinha lá pelos meados dos anos 2000. Naquela época som “novo” era tipo Art Brut, Franz Ferdinand, Yeah Yeah Yeahs, The Killers, Interpol, The Fratellis, Arctic Monkeys, The Vines, The Hives… enfim, uma porrada de coisa nova e legal pra mim. A música “nova” de agora confesso que tenho preguiça, preconceito mesmo, de escutar. Ouvir nomes de bandas como Vampire Weekend, Two Door Cinema Club, MGMT, Foster the People, Friendly Fires… me cansa a beleza, parece tudo tão previsível, processado e sem nenhuma novidade. Exatamente por esse sentimento temporário – eu espero – de “o sonho acabou” é que fico entusiasmada quando escuto (e gosto) de algo novo.

Capa de “Father, Son, Holy Ghost”

E esse sentimento veio com o segundo, e não tão novo assim, álbum do Girls: “Father, Son, Holy Ghost”, lançado em setembro do ano passado. Apesar do nome feminino, a dupla californiana é formada por dois caras: Chris Owens e Chet “JR” White. O som tem um ar de rock velho dos anos 60, com solos viajantes e guitarras às vezes de surf music que dão um toque de psicodelismo. Além do quê de soul music, com direito a vários corais de igreja no meio do som, uma influência meio gospel. Melodias gostosas, mas melancólicas, um pop instável, meio triste. As referências do duo vão de Chet Baker a Jeff Buckley. As canções do segundo álbum têm alguns momentos animados e despretensiosos como a faixa que abre o disco, “Honey Bunny”, mas são majoritariamente mais pesadas, guitarras que choram, tristes e intensas como as belíssimas “Vomit” e “My ma”, que você pode ouvir abaixo

My ma – Father, Son, Holy GhostMy ma

O responsável pelas letras pop-tristes do Girls é o vocalista Chris Owens. Sua vivência com certeza teve influência em sua poesia: filho de hippies, cresceu dentro de um fechado grupo cristão, o Children of God, que prega a salvação através de um rompimento com o “mundo externo”. Aos 16 anos o cantor resolveu fugir e foi morar em diversos países, onde ganhava trocados cantando, encontrando seu escape na música. Owens tem vários conflitos com sua mãe, já que ela deixou seu irmão morrer de pneumonia por ter se recusado a medicá-lo com remédios convencionais, além de ter se prostituído na presença do filho. Os versos de “Myma”: “Estou tão perdido e estou aqui na escuridão, e eu quero ver a luz do seu amor, estou procurando o sentido da vida” são um recado claro à sua mãe.

Um dos meus vídeos favoritos do Girls é eles tocando “Love Like A River” para o programa “For No One”. E eles tocam realmente pra ninguém, num estúdio vazio (mesmo), sem ninguém assistindo. A música é linda, o cenário é perfeito. Com um som que dá até arrepio não é nem preciso de plateia pra preencher o palco.

E aqui rola uma versão-homenagem de “I will always love you”, gravada logo após o falecimento da diva Whitney Houston. Não parece que o som saiu direto do “Father, Son, Holy Ghost”?

 
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